Natália Correia

Apresento-vos uma das minhas mulheres portuguesas favoritas! Podemos todos discutir a qualidade da sua escrita, analisar criticamente a sua obra, mas enquanto mulher irreverente e lutadora num mundo de homens na sua época não houve similar. Nascida nos Açores a 13 de setembro de 1923, sempre sentiu a solidão das ilhas, mesmo quando veio paraContinue a ler “Natália Correia”

Apresento-vos uma das minhas mulheres portuguesas favoritas! Podemos todos discutir a qualidade da sua escrita, analisar criticamente a sua obra, mas enquanto mulher irreverente e lutadora num mundo de homens na sua época não houve similar.
Nascida nos Açores a 13 de setembro de 1923, sempre sentiu a solidão das ilhas, mesmo quando veio para Lisboa. Irreverente e provocadora ficou famosa pelas tertúlias literárias que fazia em sua casa, pelas suas relações com muitos homens e por ter sido presa pela censura portuguesa depois de publicar o primeiro livro dedicado à poesia erótica em Portugal.
Natália conseguia reunir à sua volta muitos artistas portugueses modernos e que marcaram o panorama português. Conseguia ver o talento, apoiava jovens artistas no início da sua caminhada e organizava sessões de poesia e arte para que fosse mais fácil darem a conhecer a sua obra.
Era uma mulher sem medo. A sua postura e emancipação causavam escândalo e admiração: fumava em público, dominava publicamente as suas relações e a sua forma de se vestir não estava de acordo com o que se esperava no seio de uma sociedade conservadora.
Enfrentou sem medo a censura e chegou a ser julgada publicamente pela publicação da sua Antologia de poesia erótica e satírica portuguesa. Ele, juntamente com o seu amigo que ilustrou o livro, tiveram de passar por seis anos de julgamento público e terminou com os seus livros queimados simbolicamente. Claro que todos os livros foram retirados das livrarias, mas Natália sempre financiou uma edição paralela, clandestina que passou por vários canais anti-Regime.
Depois da Revolução de Abril, Natália estava esperançosa com uma democracia aberta e igualitária para mulheres. Ainda foi deputada do Parlamento, mas depressa se desiludiu com o conservadorismo português.
Foi presença constante na televisão portuguesa com programas dedicados à literatura e cultura portuguesa, mas sobretudo uma voz contestatária e progressista. Morreu em resultado de ataque cardíaco em sua casa e a sua imagem ainda figura no imaginário português.

E foi assim neste dia!

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